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ISO/ASTM 52902 e os artefatos de teste em manufatura aditiva

ISOASTM 52902

A manufatura aditiva consolidou-se como um pilar essencial na produção industrial contemporânea. O avanço tecnológico, no entanto, exige a garantia contínua da qualidade dos processos e dos produtos.

Uma das principais questões para fabricantes e usuários reside em como quantificar o desempenho dimensional dos equipamentos de manufatura aditiva.

A resposta para essa questão passa pela utilização sistemática de artefatos de teste. Esses elementos são projetados para caracterizar o desempenho dos equipamentos de forma controlada. A aplicação deles permite identificar desvios geométricos, avaliar falhas sistêmicas e delimitar as capacidades intrínsecas do processo de fabricação.

Este artigo discute o papel dos artefatos de teste e da norma ISO/ASTM 52902 na avaliação e qualificação de equipamentos de manufatura aditiva. Confira!

Como os artefatos de teste ajudam a avaliar equipamentos de impressão 3D

Os artefatos de teste permitem caracterizar o desempenho de equipamentos de impressão 3D em diferentes contextos industriais. Eles fornecem uma avaliação estruturada das capacidades geométricas dos sistemas de manufatura aditiva.

O uso desses artefatos possibilita identificar desvios geométricos e a avaliação de falhas sistêmicas ao longo do processo. Na prática, é possível perceber que esses modelos também ajudam a delimitar as capacidades do processo, oferecendo uma base objetiva para análises comparativas entre equipamentos.

A normatização dos artefatos de teste na manufatura aditiva

A literatura científica sobre artefatos de teste para qualificação de equipamentos de manufatura aditiva apresenta uma grande variedade de geometrias e objetivos de avaliação. Cada artefato é projetado para investigar aspectos específicos do processo, como exatidão dimensional, rugosidade superficial ou capacidade de reproduzir pequenas geometrias.

Com a consolidação da manufatura aditiva como tecnologia industrial, observou-se um crescimento expressivo das pesquisas voltadas à padronização. Esse movimento reflete a necessidade de estabelecer referências comuns que permitam comparações consistentes entre diferentes sistemas e aplicações.

A evolução dos estudos sobre artefatos de qualificação

Os primeiros trabalhos envolvendo artefatos de qualificação de manufatura aditiva remontam ao início dos anos 2000, período anterior à popularização dos sistemas comerciais. Esses estudos iniciais já buscavam compreender como avaliar, de forma estruturada, o desempenho dos equipamentos.

Nos anos recentes, com a expansão do uso industrial da tecnologia, houve um avanço significativo na produção científica voltada à padronização. Esse cenário contribuiu para a consolidação de abordagens mais consistentes e comparáveis no contexto da avaliação de sistemas de manufatura aditiva.

O que estabelece a norma ISO/ASTM 52902:2023

Em 2023, foi publicada a norma ISO/ASTM 52902 (Additive manufacturing — Test artefacts — Geometric capability assessment of additive manufacturing systems), com o objetivo de normalizar uma série de artefatos de teste utilizados na avaliação geométrica de sistemas de manufatura aditiva. O documento estabelece diretrizes claras para a utilização desses modelos em contextos industriais e laboratoriais.

A norma apresenta artefatos destinados à análise da exatidão dimensional, da resolução de impressão e da textura superficial. Essa estrutura permite uma avaliação abrangente do desempenho dos equipamentos, considerando diferentes dimensões críticas do processo.

Quais dimensões de desempenho são avaliadas pela norma

A norma ISO/ASTM 52902 define dimensões de desempenho que orientam a avaliação dos sistemas de manufatura aditiva.

  • A exatidão dimensional refere-se à adesão do produto físico ao modelo digital nominal, sendo essencial para aplicações que exigem alta exatidão.
  • A resolução de impressão está relacionada à capacidade de imprimir geometrias de pequena escala com fidelidade.
  • A textura superficial, por sua vez, avalia a qualidade do acabamento da superfície impressa, influenciando tanto o desempenho funcional quanto os requisitos de engenharia da peça.

Estudos práticos de caracterização: a experiência da Fundação CERTI

Na Fundação CERTI, foram conduzidos diversos estudos com o objetivo de avaliar o desempenho de sistemas de manufatura aditiva a partir dos artefatos de teste definidos na norma ISO/ASTM 52902. Esses estudos demonstram a aplicação da norma em resultados concretos para o ambiente industrial.

O uso desses artefatos organiza os processos de caracterização com maior consistência. Quando esse cenário aparece nas empresas, fica claro que a validação baseada em dados é fundamental para reduzir incertezas e apoiar decisões técnicas mais seguras.

Como o artefato de avaliação circular foi aplicado

Um dos estudos conduzidos envolveu a utilização do artefato de avaliação circular para caracterizar as capacidades geométricas de um sistema de manufatura aditiva. Esse artefato foi selecionado por permitir a realização de múltiplas análises a partir de uma única peça impressa.

A peça contém geometrias circulares concêntricas e elementos cilíndricos que possibilitam uma avaliação ampla do comportamento do equipamento. Essa abordagem otimiza o processo de caracterização e amplia a quantidade de informações obtidas em cada experimento.

Quais medições podem ser realizadas com esse artefato

As medições realizadas com o artefato de avaliação circular, conforme especificado na norma ISO/ASTM 52902, incluem:

  • Medição de diâmetros internos e externos.
  • Análise de circularidade e cilindricidade dos cilindros.
  • Medição da espessura dos cilindros.
  • Determinação da concentricidade entre os cilindros.

Esse conjunto de medições fornece uma visão abrangente do desempenho do equipamento de manufatura aditiva, principalmente para a impressão de peças com geometrias cilíndricas.

A correspondência entre o modelo digital e a peça impressa

A comparação entre o modelo digital do artefato definido na norma e o modelo físico impresso permite verificar a fidelidade do processo de fabricação. Esse alinhamento é fundamental para validar a capacidade do equipamento em reproduzir geometrias com exatidão.

A observação dessa correspondência evidencia possíveis desvios e orienta ajustes no processo. Essa verificação reforça a importância da integração entre o ambiente digital e a execução física na manufatura aditiva.

Os principais desafios na avaliação de equipamentos de manufatura aditiva

Apesar dos avanços na normatização e no uso de artefatos de teste, ainda existem desafios relevantes na avaliação de equipamentos de manufatura aditiva. Esses desafios impactam diretamente a confiabilidade das medições e a comparabilidade dos resultados.

A compreensão desses fatores é essencial para a implementação de processos de qualificação mais robustos. A seguir, são apresentados os principais desafios associados à avaliação de sistemas de manufatura aditiva.

Variação dos parâmetros operacionais

A variação dos parâmetros operacionais exerce impacto significativo nos resultados de impressão. Fatores como temperatura, velocidade, orientação de construção e espessura de camada influenciam diretamente o comportamento do processo.

Essa variabilidade dificulta a comparação entre diferentes máquinas e configurações. A gestão adequada desses parâmetros é necessária para garantir consistência e repetibilidade nos resultados obtidos.

Reprodutibilidade interlaboratorial

Comparar resultados obtidos em diferentes laboratórios ainda é um ponto sensível na avaliação de equipamentos. A garantia de que uma peça seja medida de forma padronizada em diferentes locais depende de processos rigorosos de calibração.

A calibração acreditada assegura a rastreabilidade das medições a padrões de referência nacionais ou internacionais. A consistência entre laboratórios, operadores e equipamentos exige a adoção de protocolos de medição bem definidos.

Limitações dos métodos de medição

As limitações dos métodos de medição tradicionais tornam-se evidentes diante da complexidade das peças produzidas por manufatura aditiva. Geometrias orgânicas, estruturas internas e canais de resfriamento dificultam a medição por instrumentos convencionais.

As superfícies das peças, frequentemente mais rugosas, também impactam a exatidão das medições por contato e por métodos ópticos. Nesse contexto, a tomografia computadorizada de raios X se destaca como uma alternativa que permite a inspeção volumétrica sem danificar a peça.

A correlação entre desvios e causas no processo

A correlação entre desvios geométricos e suas causas no processo de fabricação representa um desafio analítico relevante. Um desvio observado pode estar associado a diferentes fatores, como parâmetros inadequados ou condições térmicas instáveis.

A identificação da causa raiz exige a combinação de análise estatística, simulação computacional e validação experimental. Esse processo permite que a metrologia contribua para a melhoria contínua dos processos de manufatura aditiva.

Um chamado à excelência e à padronização

Os artefatos de teste constituem ferramentas importantes para a caracterização e comparação de sistemas de manufatura aditiva. Sua utilização permite identificar limitações, calibrar parâmetros e validar o desempenho dos equipamentos de forma estruturada.

A adoção de normas como a ISO/ASTM 52902 contribui para estabelecer um padrão de confiabilidade e previsibilidade. Esse movimento fortalece a maturidade industrial da manufatura aditiva e amplia seu potencial de aplicação.

O papel dos artefatos de teste na maturidade industrial da MA

Os artefatos de teste desempenham um papel fundamental na evolução da manufatura aditiva em contextos industriais. Eles permitem a caracterização detalhada dos sistemas, apoiando processos de comparação e validação de desempenho.

A aplicação sistemática desses artefatos contribui para a construção de processos mais robustos. Esse avanço é essencial para a consolidação da tecnologia em aplicações críticas.

Como a CERTI transforma normas em vantagem competitiva

Na CERTI, as orientações das normas técnicas são convertidas em aplicações práticas que geram valor para a indústria. A atuação envolve a avaliação de processos, a validação de ativos e o suporte à tomada de decisão tecnológica.

Se a empresa busca maior confiabilidade na manufatura aditiva, a aplicação estruturada dessas diretrizes pode apoiar a evolução dos seus processos com base em evidências técnicas consistentes.

CTMA: contexto do projeto e como fazer parte desse ecossistema

Este conteúdo foi desenvolvido a partir do projeto CTMA, Centro Temático de Qualificação de Peças Críticas Fabricadas por Manufatura Aditiva. O projeto é conduzido pela Fundação CERTI em parceria com o CTI Renato Archer, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e da FINEP.

A iniciativa tem como propósito estruturar um modelo nacional de qualificação de peças críticas produzidas por manufatura aditiva.Para saber mais sobre o projeto e entender como fazer parte desse ecossistema, acesse a página oficial disponibilizada pela CERTI.